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RECOMENDAÇÕES
As recomendações de ações prioritárias para conservação da
biodiversidade do Cerrado e Pantanal foram agrupadas em seis grandes tópicos:
mudanças de enfoque, corredores ecológicos e proteção regional,
articulação de políticas e órgãos governamentais, legislação,
consolidação das unidades de conservação e inventários, monitoramento
e pesquisa.
Mudanças
de Enfoque
A conservação da biodiversidade genética, de espécies e de
ecossistemas deve ser incorporada de forma explícita a todos os
instrumentos de ordenamento territorial e de gestão ambiental, tais como
corredores de biodiversidade, zoneamento econômico-ecológico, planos
diretores de ordenamento territorial e gerenciamento de bacias hidrográficas.
Nestes instrumentos de planejamento devem ser incorporadas estratégias
que conciliem a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos
com os seus usos múltiplos.
Corredores
Ecológicos e Proteção Regional
Os governos Federal, Estadual e Municipal devem criar programas especiais
de incentivo aos processos de desfragmentação de remanescentes
florestais nativos, combinando áreas públicas e privadas em
“Corredores de Biodiversidade”. Atividades econômicas sustentáveis
devem ser estimuladas, inclusive com aproveitamento de espécies nativas
do Cerrado e Pantanal.
Deve-se
fortalecer a percepção do Cerrado e Pantanal como um dos hotspots,
devido à sua alta biodiversidade e elevado grau de ameaça. A conservação
da biodiversidade deve contemplar os recursos hídricos superficiais e/ou
subterrâneos, protegendo as nascentes, rios, zonas de recarga de aqüíferos
subterrâneos, corpos d’água e áreas alagáveis, e as áreas cársticas.
Articulação
de Políticas e Órgãos Governamentais
Recomenda-se
a integração entre os Ministérios para identificar as interfaces nos
temas relacionados aos Cerrados, incluindo políticas ambientais, fundiárias,
agrícolas, de energia, águas, educação e saúde. Sugere-se também a
criação de um programa de trabalho sobre Savanas no âmbito do GEF e de
um Programa de Biodiversidade para Cerrado e Pantanal. A capacitação dos
Municípios deve incluir a formulação e implementação de políticas de
desenvolvimento sustentável e criação de mecanismos adequados de
controle e fiscalização.
Recomenda-se
ainda a inclusão de critérios de proteção ambiental na política agrícola,
entre eles:
l
política de financiamento com sustentabilidade ambiental;
l
respeito ao regime das águas, evitando o deplecionamento do
lençol hídrico durante a estação seca;
l
incentivo ao aumento da produtividade nas áreas já
antropizadas, e restrições mais rigorosas para desmatamento de áreas
nativas;
l
estímulo ao manejo econômico da biota nativa;
l
viabilizar a manutenção de renda para o produtor rural
durante o processo de desfragmentação.
Na
política fiscal, deve-se estimular o ICMS Ecológico e o ITR como
instrumentos de alocação de recursos financeiros específicos para
consolidar as áreas protegidas (UC’s e áreas de mananciais), sejam públicas
ou privadas.
Recomenda-se
também a aplicação de instrumentos de planejamento e ordenamento
territorial considerando a biodiversidade, a exemplo da iniciativa desse Workshop,
em escalas menores como estados, microrregião e municípios, com o
objetivo de fortalecer a capacidade de gestão ambiental.
Recomenda-se
o apoio e ampliação de iniciativas que experimentem e divulguem novas
abordagens de conservação tais como o Programa de Pequenos Projetos
(PPP) do Global Environment Facility (GEF). Sugere-se que seja incluído o
Pantanal neste Programa.
Legislação
Considera-se
que a legislação atual, se bem aplicada, pode gerar um grande efeito de
conservação da biodiversidade. Os órgãos públicos devem ser acionados
para que exerçam sua funções de fiscalização.
Recomenda-se :
l
o apoio à
inclusão do Cerrado como Patrimônio Nacional na Constituição;
l
o
fortalecimento da Câmara Técnica do Cerrado e Caatinga do CONAMA, com
reuniões itinerantes;
l
análise da questão
da Reserva Legal no Código Florestal, para enquadramento do Cerrado como
Formação Florestal
l
uma legislação
específica para proteger ambientes críticos do bioma Cerrado e Pantanal:
Cerradão, Florestas Secas, Veredas, Campos Rupestres, Cordilheiras do
Pantanal, Zonas Cársticas, Planícies de Inundação dos grandes rios,
enclaves de savanas na Amazônia;
l
a revisão do
veto ao artigo que trata da questão do fogo na Lei de Crimes Ambientais.
Consolidação
das Unidades de Conservação
Quanto
às UC’s do Poder Público, recomenda-se:
l
regularização fundiária e contratação de pessoal em
unidades existentes;
l
divulgação ampla do conceito e importância das UC’s de
uso indireto;
l
avaliação da possibilidade de permuta e venda de imóveis
públicos para ajudar a custear o processo de regularização fundiária;
l
definição dos principais problemas de cada UC já
existente, para facilitar a definição de prioridades;
l
incentivo à criação de unidades de conservação de
grande porte nos remanescentes significativos de cerrado (acima de 300.000
ha);
l
implantação dos planos de manejo das unidades.]
Quanto
às RPPN’s, recomenda-se:
l
melhoria da qualidade do programa;
l
avaliação da legislação para tornar o instrumento mais
atrativo;
l
divulgação ampla do mecanismo;
l
atuação pró-ativa;
l
estímulo a criação de programas estaduais;
l
aumento do efetivo de pessoal das instituições
encarregadas destes programas;
l
estímulo às
Prefeituras para averbações das reservas.
Recomenda-se
o apoio à criação de órgãos governamentais específicos para gestão
das UC’s em todos os níveis. Como exemplo, cita-se o Comitê de Apoio a
Gestão das Unidades de Conservação, e a experiência do estado de
São Paulo.
Inventários,
Monitoramento e Pesquisa em Biodiversidade
Recomenda-se
a criação de uma Rede Científica em Conservação
para o Cerrado e Pantanal, com o objetivo de disseminar e trocar
experiências nas práticas de inventário e monitoramento de
biodiversidade. Dado o enorme desconhecimento quanto às espécies da
fauna, flora, e de microorganismos em geral, o estudo científico da
biodiversidade na região do Cerrado e Pantanal é prioritário.
Recomenda-se ainda a implementação
das seguintes ações:
1.
Inventários
l
Programas de inventários rápidos - estes programas
visam cobrir as lacunas de conhecimento científico assinaladas para a
região. A metodologia pode ser implementada no âmbito da Rede Científica
de Cerrado e Pantanal. Associadas à esta rede, equipes permanentes de
especialistas podem realizar os levantamentos em parceria com
pesquisadores baseados nas regiões inventariadas.
l
Estabelecimento de uma Agenda de inventários - a ênfase
deve ser a representatividade de habitats e geográfica, com urgência
para as áreas de alta biodiversidade identificadas no Workshop.
l
Estabelecimento de protocolos para inventários -
devem ser acordados protocolos mínimos para coleta e documentação,
incorporando modelos de metadados, o geo-referenciamento dos pontos de
coletas, e a absorção dos dados em uma rede de informações sobre o
Cerrado e Pantanal.
l
Criação de um fundo para inventários - a partir
das contrapartidas ambientais de grandes obras como UHE’s, estradas,
projetos de desenvolvimento e outros.
2.
Apoio às coleções científicas
Recomenda-se fortemente a criação de um Museu em Brasília para abrigar
coleções científicas sobre a biodiversidade do Cerrado e Pantanal.
Paralelamente, sugere-se ainda:
l
associar coleções de referência a uma coleção de âmbito
regional, maior e melhor equipada;
l
estimular a formação de recursos humanos em especialidades
carentes de pessoal;
l
criar linhas de financiamento para pequenas coleções de
referência associadas com coleções grandes/museus, e estimular a
continuidade na manutenção das coleções de referência;
l
obter maior flexibilidade para obtenção de licenças de
coleta junto aos órgãos governamentais;
l
incentivar um sistema de base de dados sólida, associado à
disponibilização de informações e publicação de listagens de fauna e
flora;
l
promover a catalogação das coleções existentes;
l
suporte das agências de fomento para trabalhos de inventários.
3.
Monitoramento
Para
o monitoramento das espécies indicadoras de diversidade bem como para
medidas da integridade dos ecossistemas, sugere-se as seguintes providências
específicas:
l
selecionar espécies indicadoras que sejam representativas
da biota endêmica, das espécies raras/ameaçadas, e das espécies de
interesse econômico, para monitoramento contínuo;
l
realizar coletas geo-referenciadas para construção de
matrizes de transição;
l
desenvolver modelos de distribuição potencial de espécies.
Para
o monitoramento dos ecossistemas, recomenda-se a montagem de um sistema de
mapeamento baseado em imagens de satélite, visando quantificar o grau de
fragmentação da paisagem, os principais focos de pressão antrópica, e
fornecer a base para o planejamento e consolidação de corredores de
biodiversidade. Recomenda-se ainda conduzir estudos sobre o efeito da
fragmentação sobre a biota do Cerrado e Pantanal.
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