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ÁREAS
PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO DO CERRADO E PANTANAL
Foram identificadas 87 áreas prioritárias para conservação da
biodiversidade nos biomas Cerrado e Pantanal, desde os cerrados na divisa
do Paraná e São Paulo até as savanas amazônicas do Amapá e Roraima.
A delimitação das áreas foi realizada com base nas distribuições
de elementos da biota, enfatizando áreas de alta riqueza de espécies,
com alto grau de endemismo biológico e com presença de comunidades únicas.
Para
cada área, foi realizado um diagnóstico da importância biológica e uma
avaliação das ações prioritárias para sua conservação. Estas ações
abrangem a proteção (criação de unidades de conservação), o estudo
científico (inventários), o uso direto dos recursos bióticos e a
restauração ou recuperação de áreas antropizadas (manejo). No
mapa das áreas prioritárias estas informações
são apresentadas de maneira sintética, com destaque para a importância
biológica da área (cor) e com a identificação da ação de conservação
mais urgente (hachurado).

Áreas Prioritárias
para Conservação
O
resultado final apresenta diversos padrões significativos. As áreas de
maior importância biológica concentram-se nos estados de Goiás, Bahia,
Mato Grosso e Tocantins, ao longo do eixo central da distribuição do
bioma Cerrado. Um número substancial de áreas, entretanto, teve informação
insuficiente para avaliar sua importância. Isto ressalta a carência de
dados biológicos para a região, e a necessidade urgente de proceder a
inventários de campo na maior parte do Cerrado e Pantanal.
Além
da carência de inventários, o reduzido número
de unidades de conservação é um problema sério. Em quase todas
as áreas prioritárias, a criação de novas unidades foi assinalada como
a ação mais urgente.
Certas
áreas foram recomendação praticamente universal dos grupos temáticos.
Entre elas destacam-se o Grande Sertão Goiás-Bahia, Três Biomas, Serra
da Mesa e Chapada dos Veadeiros, Vale do Rio Araguaia e Pantanal do Rio
das Mortes. Estas áreas reúnem alto valor biológico, com graus
acentuados de pressão antrópica, mas ainda em condições de viabilizar
tanto a criação de unidades de conservação como o manejo de áreas
naturais.
As
Chapadas do sudoeste do Piauí e Maranhão, Serra do Cachimbo, Campos de
Humaitá e a região da Ilha do Bananal também foram unanimidade entre os
grupos temáticos como de importância biológica extremamente alta e
tiveram como recomendação principal a criação de unidades de conservação.
A realização de inventários foi a principal recomendação para áreas
já reconhecidas como prioritárias, como o Vale e Serra do Paranã e
Serra do Cipó, mas também para regiões sobre as quais pouco
conhecimento científico foi gerado, como sul de Tocantins e Alto da Boa
Vista.
As
savanas e cerrados ao norte do Amazonas receberam destaque, com o
reconhecimento de áreas importantes e ainda não protegidas em Roraima,
Amapá e no Pará.
A
região do Distrito Federal apresenta um conjunto importante de áreas de
preservação, sendo ainda notável pela grande quantidade de estudos
científicos nestes locais. Trata-se de uma exceção dentre as unidades
da federação no bioma Cerrado e Pantanal. Mesmo assim, a alta pressão
antrópica exige que sejam
agregadas novas unidades de conservação, à medida que o meio rural
passa a ser zona de expansão urbana.
As
poucas grandes unidades de conservação do bioma Cerrado e entorno
representam núcleos importantes para ancorar elementos raros e/ou ameaçados
de extinção da biota, como por exemplo o PARNA das Emas, que representa
uma área estratégica do Corredor Ecológico Cerrado/Pantanal.

Parque Nacional das
Emas
(GO)
Para
o Pantanal, foi dado inicialmente um tratamento comparável ao Cerrado
para definir áreas prioritárias. Além disso, foi realizada uma análise
específica, com o objetivo de inserir o conceito de corredores ecológicos.
Pantanal
A
estratégia de conservação para o Pantanal tem como fundamento uma
abordagem que considera a região de maneira integral, onde as áreas
prioritárias devem estar conectadas e as ações levam em conta as
interdependências de seus diversos ecossitemas. A estratégia proposta
busca apontar não somente áreas representativas dos diversos
sub-ecossistemas regionais, mas também assegurar o papel do Pantanal como
corredor de dispersão de espécies e de integração dos biomas
circunjacentes. Destaca-se, assim, a sua importância no contexto biogeográfico
Neotropical.
Os
conceitos de bacias hidrográficas e de gradientes de inundação também
são essenciais na escolha de áreas e em sua priorização e na indicação
de uma abordagem que incorpore a estratégia dos corredores ecológicos. O
objetivo foi estabelecer um regime particularizado de uso da terra capaz
de compatibilizar o seu potencial produtivo com a conservação de seus
recursos naturais. Trabalhos recentes, como o Plano de Conservação da
Bacia do Alto Paraguai (PCBAP) e as indicações do PRODEAGRO para o
estado de Mato Grosso foram utilizados.
As
áreas apontadas como prioritárias para o Pantanal Mato-Grossense estão
divididas em três classes. O nível máximo de prioridade refere-se a áreas
nucleares, onde recomenda-se o estabelecimento de unidades de conservação
de uso direto ou indireto. Um segundo nível de priorização engloba as
áreas onde as políticas de desenvolvimento devem observar padrões rígidos
quanto a ações de desmatamento, erosão, poluição por agentes químicos,
além de implementar um plano pormenorizado para o uso do solo. As demais
áreas devem receber um tratamento diferenciado por parte dos gestores públicos
e privados para proteção deste bioma singular, respeitando seu status
constitucional de Patrimônio Nacional.
Os
corredores identificados foram divididos em:
Norte
/ Sul – Acompanhando os rios Paraguai e Jaurú no Mato Grosso, desce em
direção ao Mato Grosso do Sul até a região do rio Apa, próximo à
cidade de Porto Murtinho.
Esta área engloba a REBIO
Serra das Araras, a EE Taiamã, o PARNA do Pantanal Mato-Grossense e as
RPPN Doroche e Penha, próximas ao maciço do Amolar. Também merecem
destaque as áreas ainda não protegidas, todavia prioritárias, como o
residual do Urucum e áreas próximas no Nabileque. Ao sul, localiza-se a
região de influência do Chaco Paraguaio, com suas formações mais
secas.
Leste
/ Oeste – Essa porção foi dividida nos eixos superior, médio e
inferior. O primeiro é formado pelos rios Cuiabá, São Lourenço e
Piquiri. Liga as chapadas ao rio Paraguai, incluindo o PARNA da Chapada
dos Guimarães, a reserva indígena Bororo e a RPPN do SESC. No rio
Piquiri, destaca-se a entrada do rio na planície com o estabelecimento de
áreas protegidas no norte da região do Paiaguás.
O eixo médio relaciona o Pantanal com os chapadões de Goiás,
mais precisamente com o PARNA das Emas. Nesta região nascem os rios
Taquari, Jauru, Coxim e Verde, cuja influência sobre o Pantanal é
preponderante, sendo responsáveis pelas subregiões da Nhecolândia e
Paiaguás. Nesta área estão previstas algumas ações conservacionistas
como a expansão do PARNA das Emas e a APA do Alto Taquari. Pleiteia-se
ainda a criação de uma área protegida que possa representar as áreas
de influência do rio Taquari. O eixo inferior é composto pela bacia dos
rios Negro e Miranda, sendo o primeiro, o mais conservado do Mato Grosso
do Sul. Algumas medidas de conservação estão sendo tomadas nesta área,
como a criação do Parque Natural e o sítio RAMSAR, nas cabeceiras do
rio Miranda. Está também prevista a criação do PARNA da Serra da
Bodoquena, que engloba os afluentes cársticos do rio Miranda e os rios
Formoso e Salobra.

Pantanal (MS)
Algumas
áreas extra pantaneiras que merecem prioridade foram demarcadas,
abrangendo os cerrados do Mato Grosso do Sul. Inicialmente, foram
indicadas as várzeas do Ivinhema, com ecossitemas fluvio-lacustres
importantíssimos na homeostase do rio Paraná. Um pouco mais ao norte,
encontra-se a bacia do rio Sucuriú, cujas nascentes são próximas ao
PARNA das Emas e cuja foz com o rio Paraná oferece condição impar para
a reprodução de peixes migratórios. Outra porção já bastante
alterada no sul do estado abrange os campos de vacaria, com ocorrência da
erva mate. Atualmente, sua maior parte encontra-se convertida em agropecuária,
onde poucas manchas nativas ainda existem.
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